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    Boletim de notícias da Província São José (Brasil) Ordem dos Carmelitas Descalços


    Fotos da beatificação de Luis e Zélia Martin



    Escrito por Equipe de comunicação às 13h34
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    Cidade de Alençon mantém memória de sua filha ilustre

                A cidade de Alençon, terra natal de Santa Teresinha, mantém preservados e abertos à visitação lugares relativos à família Martin. O vídeo a seguir é sobre os beatos Zélia e Luís Martin, pais de Santa Teresinha. No vídeo aparece, sendo entrevistada, a irmã Elisa, que foi missionária no Brasil por muitos anos. Quem a conheceu, reconhecê-la-á... As entrevistas são em francês e foi realizada pela diocese de Séez Web TV. A igreja local adquiriu, duas semanas antes da beatificação, o chamado "Pavilhão Louis Martin". Trata-se de uma torre dentro de um jardim murado, nos arredores de Alençon, onde Louis costumava ir para pescar, ler e meditar. O jardim acolheu por primeiro a imagem da virgem, depois chamada de "virgem do sorriso", que foi levada depois para Lisieux, quando do translado da família para lá. Depois de casar-se, Louis levou muitas vezes suas filhas para passeios no lugar. Este é o primeiro filme feito depois do jardim restaurado e adquirido pela diocese.  



    Escrito por Equipe de comunicação às 13h29
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    Vídeo mostra casa dos Martin em Alençon

                O filme abaixo foi feito por ocasião da inauguração do museu "casa da família Martin". No final de abril deste ano foi aberto ao público aquele que foi o segundo domicílio do casal Martin, na rue Saint-Blaise, onde a família viveu entre 1871-1877 e onde Teresa nasceu. Em francês.



    Escrito por Equipe de comunicação às 13h27
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    Inglaterra e País de Gales recebem relíquias de Santa Teresinha

    Segue o roteiro para a visita das relíquias:

     

    Portsmouth, St John's Cathedral, 16-17 September Portsmouth, St John's Cathedral, 16-17 set.
    Plymouth Cathedral, 17-18 September Plymouth Sé, 17-18 set.
    Taunton, St Teresa of Lisieux, 18-19 September Taunton, Santa Teresa de Lisieux, 18-19 set.
    Birmingham, St Chad's Cathedral, 19-21 September Birmingham, St Chad's Cathedral, 19-21 set.
    Birmingham, Sacred Heart and St Teresa, Coleshill, 21-22 September Birmingham, Sagrado Coração e Santa Teresa, Coleshill, 21-22 set.
    Cardiff Metropolitan Cathedral, 22-23 September Cardife Catedral Metropolitana, 22-23 set.
    Bristol, St Teresa's, Filton, 23-24 September Bristol, Santa Teresa, da Filton, 23-24 set.
    Liverpool Metropolitan Cathedral, 24-25 September Liverpool Catedral Metropolitana, 24-25 set.
    Salford Cathedral, 25-27 September Salford Sé, 25-27 set.
    Manchester, University Chaplaincy, 27-28 September Manchester, Universidade Capelania, 27-28 set.
    Lancaster Cathedral, 28-30 Sept Lancaster Sé, 28-30 set.
    Newcastle-upon-Tyne, St Andrew's, 30 September - 1 October Newcastle-upon-Tyne, St. Andrew's, 30 set - 1 out.
    York Minster, 1-2 October York Minster, 1-2 out.
    Middlesbrough Cathedral, 2-3 October Catedral Middlesbrough, 2-3 out.
    Leeds Cathedral, 3-5 October Leeds Catedral, 3-5 out.
    Nottingham Cathedral, 5-6 October Nottingham Catedral, 5-6 out.
    Walsingham, National Shrine, 6-7 October Walsingham, Santuário Nacional, 6-7 out.
    Oxford Oratory, 7-8 October Oxford Oratório, 7-8 out.
    Gerrards Cross, St Joseph's, 8-9 October Gerrards Cross, St. Joseph's, 8-9 out.
    Aylesford Priory, 9-11 October Aylesford Priorado, 9-11 out.
    London, Carmelite Church, Kensington, 11-12 October Londres, Carmelite Igreja, Kensington, 11-12 out.
    London, Westminster Cathedral, 12-15 October Londres, Westminster Cathedral, 12/15 out.

     

     



    Escrito por Equipe de comunicação às 08h24
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    Inglaterra e País de Gales recebem relíquias de Santa Teresinha

                A Igreja da Inglaterra e do País de Gales receberão as relíquias de Santa Teresinha do Menino Jesus entre 16 de setembro e 16 de outubro de 2009. O calendário das visitas já foi preparado. As dioceses que receberão o relicário empenham-se em preparar os fiéis e vêem a ocasião para se celebrar uma verdadeira aurora missionária naquele país. Todos falam em "tempo de graça para Inglaterra". O pedido da visita partiu do Cardeal Cormac Murphy-O'Connor e dos bispos da Inglaterra e País de Gales. As relíquias de Santa Teresa de Lisieux já visitaram mais de 40 países, incluindo Brasil, Rússia, Cazaquistão, Estados Unidos, Irlanda, Bósnia, Burkina Faso, Líbano e Iraque. Os sites das dioceses inglesas mantém seções especiais sobre a visita, com artigos sobre o culto aos santos, o significado das relíquias, vida, testemunho e atualidade de Santa Teresinha. A conferência episcopal lançou  um programa nacional de catequese, em que se busca aprofundar a espiritualidade da santa, centrada especialmente na oração, no apelo à santidade, à vida familiar, à vocação e à evangelização. The programme has yet to be finalised, but it is likely to include visits to several large venues around the country, giving as many people as possible the opportunity to come.

                A coordenação da visita está a cargo de Dom Arthur, bispo de Roche de Leeds e de Dom Malcom MacMahon, bispo de Nottingham. Dom Arthur chegou a dizer que "Santa Teresa é uma santa muito amada em todo o mundo, mas em nenhuma parte mais do que na Grã-Bretanha" (!!).

     



    Categoria: santos do carmelo
    Escrito por Equipe de comunicação às 00h16
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    Simon, the englishman

                No dia 16 de maio as duas ordens, Carmelitas e Carmelitas Descalços, recordam uma importante figura da história do Carmelo. Simão Stock, conhecido também como Simão, o inglês. Nasceu em Aylesford, Inglaterra, em 1165 e faleceu em Bordéus, França em 16 de maio de 1265. Diz a lenda que aos doze anos ele começou a viver como um eremita dentro de um carvalho oco. O nome Stock viria desta estória, pois designaria um velho tronco de árvore. Dizem também que teria sigo um pregador itinerante. Peregrino na terra santa uniu-se aos eremitas do Monte Carmelo. Tendo voltado para a Inglaterra com outros irmãos expulsos do santo monte pelos muçulmanos, foi eleito o sexto geral dos Carmelitas, em 1247. Com Simão a Ordem extendeu-se pela Inglaterra e pelo sul e oeste da Europa. Foi ele quem capitaneou o movimento para a adaptação da regra carmelitana e quem conduziu a difícil missão de defender a Ordem em meio a tantos revezes. Para isto contava com ninguém menos que aquela sob cujo patrocínio a Ordem nasceu: a Virgem Maria. A Simão aparece a Virgem Maria, prometendo-lhe, a ele e a todos os que levam sobre os ombros o santo escapulário que ela lhe entrega, a proteção e a salvação eterna. Em 1252 o Papa Inocêncio IV emitiu um documento dando garantias de sobrevivência à Ordem dos Carmelitas.

                A Santa Sé aprovou a sua festa em 1564. Em 1549 os Carmelitas voltaram a Aylesford e reassumiram o antigo convento, de onde foram obrigados a sair muitos anos antes. O convento foi reconstruído e restaurado e hoje é uma casa de retiros.

     

                A "coleta" da antiga liturgia do Santo Sepulcro assim rezava:

     

    Deus, qui, precibus et meritis beati Simonis Confessoris TUI, Carmeli Montis Ordinem, per manus Genitricis Filii Tui Domini nostri Iesu Christi, singulari Privilegio decorasti: admitiria; ut, ipso interveniente, ad gloriam, quam diligentibus te præparasti, pervenire valeamus. Per eumdem Dominum. Por eumdem Dominum. Amen.

     

    Ó Deus, que pelos méritos e preces do bem-aventurado Simão, teu confessor, ornastes , pelas mãos da Genitora do Teu Filho Nosso Senhor Jesus Cristo, com o singular privilégio a Ordem do Monte Carmelo: concedei, por sua intercessão, atingirmos a glória que vós preparastes aos que vos amam. Por Cristo Nosso Senhor. Amém!



    Escrito por Equipe de comunicação às 23h59
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    Frei Alzinir visita Handel

     

                Após ter participado do Capítulo Geral em Fátima, fr. Alzinir deu uma esticadinha a Amsterdã para uma visita fraterna à Comunidade recém fundada em Handel, na Holanda. Os frades da comunidade holandesa receberam de primeira mão as notícias do Capítulo. Fr. Alzinir já informou-nos que encontrou a comunidade alegre e disposta em sua missão.

                De Handel fr. Luciano informa sobre as celebrações dos 450 anos de criação da Diocese de Den Bosch, à qual está inserida a nossa Paróquia. As comemorações, que se estenderam por um ano, encontram-se no seu auge neste mês. A rede de TV e rádio "NOS" entrevistou os descalços de Handel e pode ser conferida neste endereço:

     

    http://www.nos.nl/nosjournaal/artikelen/2009/5/10/index_av.html

                   

                                                   Vooruit, broers!!



    Categoria: frades
    Escrito por Equipe de comunicação às 23h55
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    Fundação do convento de Brasília

     



    Categoria: frades
    Escrito por Equipe de comunicação às 22h03
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    Carmelo de Tanguá comemora 80 anos de fundação

     

                As monjas carmelitas descalças do mosteiro SS. Trindade de Tanguá - RJ, comemoraram no último dia 1 de maio 80 anos de fundação. Ponto alto das comemorações foi a Santa Missa celebrada pelo bispo auxiliar de Niterói, sacerdotes, religiosos, autoridades tanguaenses e grande número de fiéis da arquidiocese de Niterói.

                O Carmelo de Tanguá inicia-se em 1926, quando no coração da irmã Maria do Carmo da SS. Trindade botou o desejo de mais um Carmelo no Rio que fosse para a glória da SS. Trindade. Esta confiou seus projetos a S. Emcia. o Cardeal Sebastião Leme, então arcebispo do Rio.

                A inspiração foi por ele acolhida com grande alegria. Em vista da ereção do novo mosteiro, D. Leme penseu em Madre Maria Evangelista da Assunção como fundadora, então priora do Carmelo de Sta. Teresa, e juntos deram os primeiros passos para a futura fundação. D. Leme cedeu um terreno situado na estação de todos os santos.

                Com a graça de Deus e a ajuda dos benfeitores seguiram-se às obras com rapidez e afinco.

                No dia 1° de maio de 1929 transladaram-se do Carmelo Sta. Teresa para o novo Carmelo, Madre Maria Evangelista como priora e outras seis religiosas para dar início a mais um "Pombal da Virgem", como chamava Santa Teresa os carmelos.

                Com o passar dos anos, como o ambiente ao redor já não favorecia à vida silensiosa e solitária das irmãs, o cardeal Leme determinou a transferência do mosteiro.

                A Providência de Deus, então, trouxe o Carmelo para Tanguá, pequena vila no interior do Estado do Rio de Janeiro, agora cidade promissora.

                A Deus e a todos os amigos que nos ajudaram a chegar ao júbilo dos 80 anos de fundação, nossa gratidão e sincera amizade.

    (Texto de folder distribuído pelo Carmelo de Tanguá)

     



    Categoria: monjas carmelitas
    Escrito por Equipe de comunicação às 21h37
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    Santa Teresa enveredada no Grande Sertão

    O escritor Guimarães Rosa

               Um estudo apresentado na Universidade de Campinas revela a influência de Santa Teresa na obra de Guimarães Rosa, de quem comemorou-se o centenário de nascimento em junho do ano passado. O estudo é de autoria de Suzi Frankl Sperber, professora do Departamento de Teoria Literária do Instituto de Estudos da Liguagem (IEL) da Unicamp e trabalha a simbólica do "Grande sertão: veredas" e intitula-se "Mandala, mandorla: figuração da positividade e esperança".  A seguir trechos do seu artigo publicado no site da Unicamp.

     

                Desde pelo menos 1970 venho trabalhando com o tema do centro, em Grande sertão: veredas. Apareceu no que foi minha tese de doutorado, depois em livro (Guimarães Rosa – signo e sentimento, 1982), e ainda em artigo: "O narrador, o espelho e o centro em Grande sertão: veredas" (Sperber, 1996). Nesse centro, mantido exatamente no meio do livro desde sua primeira versão datiloscrita, repercute a cantiga de Siruiz, em certa medida espalhada na narrativa. Em Guimarães Rosa – signo e sentimento, mostro como os versos da canção reverberam no centro do romance, repetidos, ainda que espalhados nas quatro páginas que o constituem.

                Guimarães Rosa usou também outro recurso para chamar a atenção do leitor para o centro da narrativa: "Eu atravesso as coisas e no meio da travessia não vejo! Só estava era entretido na idéia dos lugares de saída e de chegada [...] Digo: o real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia". A palavra meio está praticamente em cada página de Grande sertão, mesmo em uma sentença-provérbio, tão forte quanto o leitmotiv "viver é muito perigoso": "o diabo, na rua, no meio do redemunho".

                Entendi o centro como lugar sagrado. Para reforçar a idéia da busca do divino, já tratada desde meu livro Caos e cosmos (Sperber, 1976), tema desenvolvido em diversos estudos – mas volta e meia tratado com desconfiança por outros estudiosos, trago algo novo – pelo menos para mim mesma. Em várias obras de Santa Teresa de Jesús (1956), e especialmente no livro presente na biblioteca de João Guimarães Rosa, ela emprega a palavra "nonada" diversas vezes. Foi palavra usada no mundo hispânico por alguns autores, nos séculos XVI e XVII, talvez a começar por um romance de cavalaria catalão, de Joanot Martorell – Tirant lo Blanc4 – depois em Cervantes; no Lazarillo de Tormes.

                Rosa abre com essa palavra o grande romance: "Nonada". Como Guimarães Rosa leu Santa Teresa de Jesús e como o aspecto espiritual e propriamente religioso contava muito para ele, podemos apreender o sentido de "Nonada" a partir do contexto da obra de Santa Teresa. Nonada quer dizer, para Santa Teresa, menos que nada. "¡Oh, válgame Dios, y qué nonada son nuestros deseos para llegar a vuestras grandezas, Señor! ¡Qué bajos quedaríamos, si conforme a nuestro pedir fuese vuestro dar!". A palavra serve para criar um contraponto mais radical entre o ser humano e Deus. Corresponde ao enaltecimento de Deus e ao reconhecimento da miséria humana. Saber que o homem é nonada serve para encarecer a sua busca de tudo. Portanto, Guimarães Rosa já indicia no início do romance a sua busca – e a da personagem principal e narrador – do sagrado, de Deus. Poderia parecer uma ilação abusiva, se logo depois, nesse começo da narrativa, não aparecesse o forte tema rosiano: Deus e o diabo, e ele espera que Deus esteja: "Tiros que o senhor ouviu foram de briga de homem não. Deus esteja". A palavra também indicia a abertura para o virtual. Relacionando "nonada" a Santa Teresa de Jesús, a partir do trecho citado, essa virtualidade se descerra para a noção de devir.

                Em uma das obras de Santa Teresa, Las moradas. El castillo, lemos: "Pues consideremos que este castillo tiene – como he dicho – muchas moradas, unas en lo alto, otras embajo, otras a los lados; y en el centro y mitad de todas éstas tiene la más principal, que es adonde pasan las cosas de mucho secreto entre Dios y el alma". Santa Teresa encarece o centro e a metade – ou o meio – de todas as moradas. Assumindo-se Grande sertão como o grande castelo, as cenas podem ser entendidas como moradas. Com um centro – em que "acontecem as coisas de muito segredo entre Deus e a alma".

                 O centro de Grande sertão difere daquele encontrável no romance São Bernardo, de Graciliano Ramos. Aí, o centro corresponde à gruta, à caverna e ao sentimento de culpa sem remissão e sem devir (que associei ao mito de Trofônio). Paulo Honório se reconhece mau e assim foi desmascarado por Madalena. A narrativa termina com uma imagem animalesca, brutal, que faz de si Paulo Honório (cf. Sperber, s.d.). Em Grande sertão, o centro mistura lembranças do passado, avalia cada personagem importante (Compadre meu Quelemém, Diadorim, A Bigri, o padrinho Selorico Mendes, Joca Ramiro, Medeiro Vaz, Zé Bebelo, Sô Candelário, Nhorinhá, Miosótis, Rosa'uarda, Reinaldo, Otacília, Hermógenes e até mesmo o Jazevedão e o menino Valtêi). Nenhuma dessas personagens sente culpa, a não ser Riobaldo. Ele não tem de si uma imagem de bruto. Cada uma das personagens evocadas nessas páginas que abrem uma fenda na narrativa contém um universo que também ele corresponde a uma morada. A principal morada é a do próprio Riobaldo, em que estão inseridos aspectos daquelas outras moradas, daqueles outros eus – personagens que o habitam. A morada é o espaço da memória e da retomada do eu: "Os dias que são passados vão indo em fila para o sertão. Voltam, como os cavalos: os cavaleiros na madrugada – como os cavalos se arraçôam". Como os cavalos que se arraçoam, as lembranças espalhadas procuram sua ração, isto é, seu alimento. Como os cavalos, a direção é uma – voltar para o sertão: "Sertão é o sozinho. Compadre meu Quelemém diz: que eu sou muito do sertão? Sertão: é dentro da gente". Dentro da gente está especialmente o centro de nossa morada. Diz Santa Teresa de Jesús: "en el centro y mitad de todas éstas (moradas) tiene la más principal, que es adonde pasan las cosas de mucho secreto entre Dios y el alma". As coisas de muito segredo entre Deus e a alma são expressas por palavras e imagens fracamente relacionadas, relativamente caóticas. No centro do romance as frases estão mais frouxas nas suas relações do que no resto da narrativa. Criam frestas onde se instala o segredo.

                Como se configura o segredo nesse centro da narrativa?

                Ao falar de Zé Bebelo, Riobaldo diz: "Zé Rebelo me alumiou. Zé Rebelo ia e voltava, como um vivo demais de fogo e vento, zás de raio veloz como o pensamento da idéia – mas a água e o chão não queriam saber dêle". "Zé Rebelo me alumiou": o relato evoca luz. Zé Bebelo representa a velocidade do pensamento. "Zé Rebelo ia e voltava": ao falar de Zé Bebelo, o narrador retoma o tema da ida e da volta. A natureza irrequieta de Zé Bebelo representa mercúrio, visto que é "como um vivo demais de fogo e vento, zás de raio veloz como o pensamento da idéia – mas a água e o chão...". Os elementos evocados são fogo, ar (vento), água e terra (chão). Zé Bebelo é representado pelos elementos aéreos (fogo e ar, além de luz, que simboliza a razão, o raciocínio); mas é rejeitado pela água e pela terra. Cada um dos demais chefes é caracterizado como não pertencendo ao todo, isto é, ao conjunto dos elementos. Medeiro Vaz morre em pedra; Quelemém é homem sem parentes; Joca Ramiro era diverso e reinante: consta de falecido porque é rei, porque não participa do mesmo estatuto dos jagunços, do sertão. O chão salgado no qual é enterrado lembra o versículo 13 do capítulo 5 de Mateus: "Vós sois o sal da terra". Oração semelhante está em Marcos, capítulo 9, versículo 50, e em Lucas, capítulo 14, versículo 34. Joca Ramiro seria o sal da terra? Ou sua morte é o início da ação necessária para que seus seguidores se tornem o sal da terra? Há muitas interpretações possíveis. Uma delas diz que Jesus considera seus reais seguidores como o sal, porque devem dar sabor à vida e conservá-la, cuidando da pureza do seu pensamento. Outro intérprete considera que dar sabor à vida significa construir vida digna para todos. As duas interpretações funcionam para Riobaldo. Na minha leitura, Joca Ramiro representava, para Riobaldo, conhecimento e sabedoria. Sua morte infundiu tristeza. A carnaúba é árvore do sertão, considerada a árvore da vida pelo estudioso Humboldt, e representa a total integração do homem regional ao ambiente em que vive. Assim, relacionar Joca Ramiro ao sal da terra, àquele que deu sabor à vida, é pertinente. Como parece pertinente vislumbrar o desejo de Riobaldo de uma totalidade, de um Uno abrangente.

                ... Riobaldo decide ir para uma encruzilhada próxima e fazer o pacto com o demônio, segundo informa, a fim de obter um sobrevalor, necessário para acabar com o Mal (o Hermógenes) no meio dos jagunços. Fica só, afastado de todos, recolhido. Invoca Satanás. O que lemos são algumas frases fortes e claras: "Eu estava bêbado de meu". Ao conjurar Satanás, só lhe responde o silêncio: "O senhor sabe o que o silêncio é? É a gente mesmo, demais" (p.398). Chama de novo: "– Ei, Lúcifer! Satanás, dos meus Infernos!" (ibidem). Lúcifer não responde. Mas "Me ouviu, a conforme a ciência da noite e o envir de espaços, que medeia" (ibidem). O espaço que medeia é o virtual, o silêncio e a fissura, representados também pelo centro da narrativa. O self fraturado pelas diferentes temporalidades, espaços, memórias ressignificadoras se junta para expandir-se. Esse eu reconquistado, fortalecido, é tal que é "Como que adquirisse minhas palavras tôdas; fechou o arrôcho do assunto" (ibidem). Aparentemente encerra o assunto, cujo fecho figura um vórtice que absorve todas as palavras de Riobaldo. A pergunta que segue "Aí podia ser mais?" pode querer dizer muita coisa. Uma delas é que este momento corresponde ao ser máximo, ao ser-tão. Sobre a relação entre o ser-tão, o eu mais profundo e o sagrado lemos: "A pêta, eu querer saldar: que isso não é falável. As coisas assim a gente mesmo não pega nem abarca. Cabem é no brilho da noite. Aragem do sagrado. Absolutas estrelas!" (ibidem). Depois do redemoinho engulidor de palavras – ao mesmo tempo que elas são proferidas, se expande o silêncio até o cosmos, até o sagrado. A cena e sua continuação apresentam Riobaldo só, mergulhado em si. Riobaldo fora convocar Satã, mas encontra o sagrado. É como diz Santa Teresa de Jesús: "No hay menester alas para ir a buscar a Dios, sino ponerse en soledad y mirarle dentro de sí".

                Dentro de si; no centro da narrativa, com suas moradas e segredos; na referência a Santa Teresa de Jesús; na busca de Riobaldo de redenção e de um princípio que desse sentido aos acontecimentos vividos; na memória encontra-se a busca do divino, apresentada por uma especial estratégia discursiva macro e microestrutural de Guimarães Rosa. Do ponto de vista microestrutural, o centro da narrativa, ponto de convergência e dispersão, configuração, em certa medida, de nonada, podemos entrever um conjunto de linhas formando arabescos.

                O centro, mandala, mandorla, Si-Ur-iz caótico e cheio de devir, pode ser visto como espelho microestrutural da macroestrutura da narrativa justamente porque figura o devir. Contendo a idéia do lugar "de muito segredo entre Deus e a alma", conforme Santa Teresa, o centro (lugar de concentração e de dispersão) tem valência afirmativa. A afirmação de Deus e da alma e os recursos da narrativa revelam que a noção de devir da obra contém a cifra da esperança – apesar de tudo – de movimento e continuidade presentes no começo da narrativa, no nada (que não está vazio, já que nele existe algo), e no seu fim, na palavra "travessia". Afinal, a marca diferencial de Grande sertão: veredas – com o seu centro e mandala – é a positividade do olhar sobre o humano e o mundo.



    Escrito por Equipe de comunicação às 22h47
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    Consagração

    Texto de Pe. Gracián da Mãe de Deus, ocd, amigo e confidente de Santa Teresa. Tradução de Fr. Miguel Angel, frade da província de N. Sra. do Carmo, do Sul do Brasil, falecido recentemente. Enviado por fr. Davi, ocd.

     

     

    “Senhor, desde agora, que todas as minhas coisas sejam vossas: eu vo-las entrego e ponho em vossas mãos, fazei delas e de mim mesmo tudo quanto quiserdes como se fosse propriedade vossa . Vossa é minha alma, minha vida, minha saúde, minha alegria, minha honra, minhas propriedades e tudo quanto nesta vida eu possa vir a ter e possuir, pois não desejo nenhuma outra coisas que não sejais Vós. Se quiserdes conceder-me algo disto, eu o assumirei como propriedade vossa, e se o quiserdes tirar de mim, não me ofenderei nem me queixarei, pois já vo-lo tenho dado e não mais me pertence. E todas  vossas coisas são minhas e acolho-as como próprias. Vossa honra, vossa lei, vossa Igreja, vossa fé, vosso Pai e Mãe e vossos santos, vossa cruz, as almas que estão na terra e que vos pertencem. E daqui em diante não desejo outra coisa senão retornar à vossa honra, observar a vossa lei, produzir frutos na vossa Igreja, reverenciar e servir a vossa Mãe e a vosso Pai eterno e aos santos do céu, procurar a salvação de vossas almas, suportar a vossa cruz e fazer tudo quanto eu souber que vos agrada e dá contentamento, embora me custe a própria vida”.



    Escrito por Equipe de comunicação às 01h08
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    Capítulo Geral termina com mensagem enviada a toda a Ordem

     

                "Como ser testemunhas e continuadores desta história nas diversas culturas e situações do mundo contemporâneo?", pergunta Fr. Xavier Cannistrà, em uma breve mensagem dirigida a toda a Ordem em vídeo, momentos antes do encerramento do Capítulo geral. No vídeo o Geral dos Carmelitas Descalços afirma que "só o diálogo com Teresa nós, Carmelitas do terceiro milênio, podemos discernir o caminho justo para a renovação, de que temos necessidade, nós, as nossas igrejas, o nosso mundo".

                Encerrado o Capítulo no dia 7 de maio, os Capitulares enviaram para toda a Ordem uma mensagem em que manifestam o sentido profundo de fraternidade que marcou o Capítulo com o encontro dos frades e destes com as monjas e os leigos. No documento ressaltam o olhar que a Ordem coloca no V centenário de nascimento de Santa Madre Teresa para permanecer "fiel à sua tríplice vocação mística, profética e missionária". Para isto desejam para "todos os membros da nossa ordem uma nova primavera de nossa vida no seguimento de Jesus... através de um encontro pessoal com Teresa..., fazendo dos seus escritos nosso pão cotidiano", porque neles ela nos devolve o sabor de Deus, de Quem somos chamados a testemunhar, num "dinamismo missionário que nos anima e alimenta nossa paixão pelos homens... por sua salvação e libertação integral, convertidos em 'servos do amor' (V.11,1)".

                O documento termina com o olhar voltado a Nossa Senhora, que em Fátima apareceu por último a Lúcia, Francisco e Jacinta vestida com o hábito do Carmo, augurando que o programa do novo sexênio, sob a égide de Santa Madre Teresa com quem repetimos "para vós nasci", seja uma fonte de graça e de renovação para todos.

     



    Categoria: frades
    Escrito por Equipe de comunicação às 00h07
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    uma paradinha básica...

    NOSSO BLOG VOLTA A SER ATUALIZADO E PUBLICADO NO DIA 9 DE MAIO.

    Bom dia do trabalhador para todos e feliz mês de Maio!



    Escrito por Equipe de comunicação às 09h22
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    aniversariantes do mês de maio

     

    Aos confrades que nasceram no mês de Maria, nossas felicitações e votos de uma vida plena da graça de Deus.

    Fr. Edinaldo da Silva -           08 de maio

    Fr. Sandro Grimani    -           11 de maio

    Fr. Odair Madeiro      -           17 de maio

    Fr. Wilson Gomes      -           28 de maio

     



    Categoria: frades
    Escrito por Equipe de comunicação às 09h15
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    Frei Jerônimo de São José, nos 400 anos de seu ingresso no Carmelo

    Convento S. José dos Carmelitas Descalços - Zaragoza - Espanha

     (Mallén Z., V-1587 - Zaragoza, 18-X-1654).

                No século chamava-se Jerônimo Ezquerra de Rozas, uma das figuras mais interessantes da erudição aragonesa do Século de Ouro espanhol, em suas vertentes histórica e literária.

                Era filho de D. Martín Ezquerra, notário da vila de Mallén, e de d. Isabel de Blancas. Estudou em Huesca e em Zaragoza e, mais tarde, mudou-se para Salamanca, onde cursou as carreiras de maior prestígio na época: Cânones e Leis. Nesta mesma cidade e no Colégio Carmelitano tomou o hábito no dia 20 de maio de 1609. Seus estudos completaram-se em Segóvia, onde cursou Artes, e de novo em Salamanca, onde frequentou as aulas de Teologia e Sagrada Escritura.

                Desde muito jovem sentiu uma forte inclinação para a investigação histórica, à qual dedicou a maior parte de sua vida. Os Carmelitas Descalços o nomearam cronista geral, encarregado de fazer uma História da Reforma. Esta obra assinala o começo dos problemas de frei Jerônimo com a Ordem, problemas que surgiam cada vez que pretendesse imprimir uma obra. Para a confecção desta história recolheu os dados de primeira mão, e inclusive elaborou um questionário que as testemunhas relacionadas com os santos fundadores deveriam responder; todavia é, hoje em dia, um modelo de rigor científico e honradez histórica. Desz anos durou a elaboração deste livro, que apresentou à aprovação em 1635. Os censores proibiram sua impressão, obrigando-o a numerosas modificações e supressões.

                O escândalo produzido na raíz desta impressão não censurada fez com que frei Jerônimo perdesse o cargo de historiador da Ordem e que se recolhessem todos os exemplares de sua História. Porém o tropeço não freou seus desejos de escrever: em 1638 conseguiu permissão para publicar uma Vida de San Juan de la Cruz, tema no qual levou largos anos trabalhando. Em 1629 tinha publicado um Esboço do Venerável varão Frei Juan de la Cruz, breve texto que foi impresso, até nossos dias, em quase todas as edições das obras sanjuanistas, e em 1630 tinha editado os Escritos do santo, incluindo uma primícia editorial: a Declaração das canções que tratam do exercício do amor entre a alma e o esposo Cristo, à qual frei Jerônimo mudou o título por outro, que é aquele que se conserva em todas as edições a partir de então: Cântico espiritual entre a alma e Cristo, seu esposo.

                Sua obra sobre San João da Cruz só foi publicada em 1641. A partir desta data, e depois de ter sido prior do convento de Gerona, frei Jerônimo residiu em Zaragoza, no convento de S. José, onde passou a maior parte de seus últimos anos.

     

                Duas obras importantes marcam esta última etapa de sua vida: a Historia del Pilar, trabalho que ainda permanece inédito, obra pela qual sentia o maior interesse, e que numerosas vicissitudes impediram que viesse à luz, e por fim, sua obra mais significativa, a única que nos chegou sem mudanças: o Gênio da História, publicado em 1651.

                Além das obras citadas, frei Jerônimo deixou inéditos numerosos escritos de características diversas: históricos, ascéticos, escriturísticos, etc, assim como uma grande coleção de poesias, entre elas esta, dedicada

    a nuestra madre Santa Teresa

    A sus hijuelos a volar provoca

    el águila real, y al sol los lleva;

    de la fineza de sus ojos prueba

    mientras el rayo de su luz los toca.

    Ella después, bajando, en una roca,

    para aguzarlo, el corvo pico ceba,

    y en una fuente toda se renueva

    prolongando la edad que el tiempo apoca.

    Así la caudal águila, Teresa, aprueba

    la fineza de sus hijos en la contemplación del sol que adora.

    Y, ella en la piedra, Cristo, haciendo presa,

    emplea el pico, en quien los ojos fijos,

    bañándose en sus llagas se mejora.

     



    Categoria: frades
    Escrito por Equipe de comunicação às 01h45
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